A visita do “papa” João Paulo II a Israel, em março de 2000, e agora a de seu sucessor Bento XVI, são eventos cheios de significados. Diplomatas israelenses afirmaram que o fato contribuiria para a reconciliação de diferentes povos e religiões no Oriente Médio. O rabino-mor Israel Meir Lau acentuou que o “papa” JP2 condenou o anti-semitismo e o terrorismo em suas viagens, além de contribuir para a queda do comunismo. A visita de 2000 incluiu, além de Jerusalém, passagens por Nazaré e Belém, com direito a encontro com o líder palestino, o ex-terrorista Yasser Arafat. Agora em 2009, B16 passou por Jordânia, Israel e os Territórios Palestinos, entre os dias 8 e 15 de maio.O último “papa” a visitar Jerusalém antes de JP2 e B16 fora Paulo VI, em 1964. Israel e o Vaticano reconheceram-se mutuamente como Estados somente em 1993, iniciando relações diplomáticas no ano seguinte. Essa longa novela deve-se ao fato de que o catolicismo sempre fomentou a idéia de perseguir os judeus, por terem crucificado Jesus. A queima do Judas no “sábado de aleluia” e a lenda do Judeu Errante são apenas dois dos lados mais “suaves” dessa história, para não falar da Inquisição. “Os judeus mataram Jesus”, raciocinam, “e assim não mais teriam direito nem às promessas de Deus nem à Terra Santa”: daí aos horrores das Cruzadas foi um pequeno passo. Há apenas 70 anos, bispos católicos abençoaram os canhões do ditador espanhol Francisco Franco e do líder nazista Adolf Hitler; o então “papa” Pio XII fez vista grossa à perseguição aos judeus por toda a Europa, inclusive debaixo de seu nariz, em Roma. A cúpula católica vem tentando mascarar esse fato com novas versões e “novos documentos” que pretendem inocentar o pontífice.
De fato, a igreja católica se considera o “novo Israel de Deus”, e por isto sempre ignorou o Estado de Israel. Somente depois de 47 anos o Estado Judeu foi reconhecido pelo Vaticano. A arrogância de Roma foi acionada na Polônia em 1999, quando o rabino-mor daquele país, Pinchas Menahem Joskowitz, foi afastado do cargo por pressão dos católicos. Ele tratou o “papa”, que se julga o único representante de Cristo na Terra, como “senhor papa”, e não “sua santidade” (citado em Nal 8/99; e em “Jerusalém, Um Cálice de Tontear”, de Dave Hunt).
Será que essas visitas “papais” seriam parte da preparação para o governo do Anticristo? Faz parte desse contexto político o reconhecimento mútuo entre Israel e o Vaticano. Pelas manifestações das autoridades israelenses vemos como são grandes as expectativas, ao mesmo tempo em que se mostra o quanto Israel está disposto a colaborar com o Vaticano. Realmente, no tempo do fim, Roma terá um papel muito importante, favorável aos judeus, pelo menos inicialmente. Por isto, é necessário que primeiro haja um entendimento entre Jerusalém e Roma. Isto já começou, com o estabelecimento de relações diplomáticas em 1994. Mas depois, junto com o Anticristo, o Vaticano voltar-se-á contra Israel. Um fato significativo foi o “papa” JP2 aproveitar a visita de 2000 para, sob a fachada de humilde peregrinação, fazer exigências a favor dos palestinos e impor condições a Israel, com a arrogância que sempre lhe foi peculiar.
O Vaticano coopera com os palestinos - Sabe-se que existe um pacto de cooperação entre o Vaticano e a Autoridade Palestina. Representantes palestinos e da “Santa Sé” assinaram há anos, em Roma, um tratado destinado a intensificar sua cooperação oficial. O acordo, conforme declarações palestinas, foi o primeiro entre o Vaticano e uma organização árabe. Segundo um porta-voz, esse acordo foi assinado após um encontro entre o então líder da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, e João Paulo II, informou o jornal “Al Hajat Al Dshadida”. O documento reforça a obrigação de Israel de cumprir as diversas resoluções da ONU em relação aos territórios árabes “ocupados”.Já Bento XVI, nesta visita, embora tenha apelado aos palestinos que devem aceitar o direito de Israel à existência, afirmou que os palestinos têm de ter a sua independência e que os refugiados devem voltar à sua terra. A respeito do muro que separa israelenses e palestinos, o “papa” considerou “trágico que ainda hoje sejam erigidos muros num mundo em que as fronteiras estão cada vez mais abertas”. Esther Mucznik, investigadora de assuntos judaicos, disse que houve “descontentamento gerado pelo discurso que Bento XVI proferiu no Memorial, sem referências à sua experiência pessoal durante a II Guerra Mundial e nenhuma condenação explícita dos nazistas”. Ela citou que “as tomadas de posição foram muito claras, pronunciando-se por diversas vezes, a favor do estado palestino e condenando a barreira de segurança entre
israelenses e palestinos”.Interessante é que, desde a época das Cruzadas, o Islã e Roma sempre foram antagônicos. Mas quando se trata de ficar contra Israel - e no final este é o objetivo - os dois se tornam repentinamente amigos. Isto nos faz lembrar do significativo texto em Lucas 23:12: “Naquele mesmo dia, Herodes e Pilatos se reconciliaram, pois antes viviam inimigos, um contra o outro”. Quando se tratou de ir contra Jesus, de repente esses inimigos se entenderam.
Coisa semelhante acontece agora com os irmãos de Jesus - o povo de Israel.
Tudo está se cumprindo. Todos esses acontecimentos são apenas a preparação do cenário para o ato final da História Humana, o retorno glorioso de Jesus para assumir o trono que lhe é de direito.
Fonte: Notícias de Israel, ano 22, nº 2, fevereiro de 2000, pág. 10-11; nº 3, março de 2000, pág. 15; Jornal Estado de São Paulo, 21 de abril de 2009



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