Pouca gente sabe mas, na verdade, a crise possui antecedentes desde 2004. Confira.
Entre 2004 e 2006: problemas nas hipotecas
Depois de dois anos, entre 2004 e 2006, quando a taxa de juros subiu de 1% para 5,35%, o mercado imobiliário americano começou a entrar em colapso. Os preços dos imóveis caíram e, mesmo assim, a inadimplência dos mutuários aumentou e a inadimplência em empréstimos do tipo subprime (hipotecas de alto risco para pessoas com histórico ruim de crédito) atingiu níveis recordes.
2007: a crise chega aos bancos
- Em Abril, a New Century Financial, empresa especializada em empréstimos subprime, pediu concordata e demitiu metade dos seus funcionários. Com suas dívidas sendo repassadas para outros bancos, o mercado subprime começou a entrar em colapso.
- Em Julho, o banco de investimentos Bear Stearns disse que seus investidores não conseguiriam resgatar o dinheiro investido em seus fundos. O diretor do Federal Reserve (o banco central americano), Ben Bernanke, diz que a crise do subprime custaria US$ 100 bilhões.
- Em agosto, o banco de investimentos PNB Paribas diz a seus investidores que eles não conseguirão resgatar seus investimentos. É um sinal claro de que os bancos estão se recusando a emprestar dinheiro uns aos outros. O Banco Central Europeu investe 95 bilhões de euros no setor bancário, para melhorar a liquidez. Em seguida, mais 108,7 bilhões de euros são investidos. Os bancos centrais dos Estados Unidos, Canadá e Japão começam a intervir. No dia 1º, o banco suíço UBS revela perdas de US$ 3,4 bilhões. Em seguida, o gigante Citigroup divulga que perdeu US$ 3,1 bilhões. No dia 6 George W. Bush anuncia um plano para ajudar milhões de mutuários com problemas. O Fed coordena, ao lado de cinco bancos centrais, uma ação para empréstimos a outros bancos.
2008: Quem diria, nacionalizações nos EUA
- Bernanke alerta para os efeitos da crise do sistema financeiro na economia real. Os líderes do G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo) dizem que as perdas com o mercado subprime podem chegar a US$ 400 bilhões. O governo britânico nacionaliza o banco Northern Rock.
- Em março, o Federal Reserve libera mais US$ 200 bilhões para bancos em dificuldade. No dia 17, o quinto maior banco americano, Bear Stearns, é comprado pelo JP Morgan Chase por US$ 240 milhões (um ano antes, o banco valia US$ 18 bilhões). O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que as perdas devido à crise financeira internacional podem chegar a US$ 1 trilhão ou até ultrapassar esta marca.
- Em abril, o Banco Central da Inglaterra divulga os detalhes de um plano ambicioso, da ordem de 50 bilhões de libras (cerca de R$ 171 bilhões) para ajudar bancos. Esse plano permitiria que estes bancos trocassem dívidas de hipoteca potencialmente arriscadas por títulos do governo, mais seguros. O FBI prende 406 pessoas, incluindo corretores e empreiteiros, como parte de uma operação contra supostas fraudes em financiamentos habitacionais que alcançam valor de US$ 1 bilhão.
- Em julho, o banco de hipotecas americano IndyMac entra em colapso e se torna o segundo maior banco a falir na história dos Estados Unidos.
- Em agosto, o governo dos EUA nacionaliza as empresas de hipoteca Freddie Mac e Fannie Mae. - Em setembro, o Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, registra perdas de US$ 3,9 bilhões e, em seguida, a empresa entra com pedido de concordata. O Merrill Lynch, um dos principais bancos de investimento americanos, concorda em ser comprado pelo Bank of America por US$ 50 bilhões para evitar prejuízos maiores.
- O Fed anuncia um pacote de socorro de US$ 85 bilhões para tentar evitar a falência da seguradora AIG, a maior do país. O governo dos EUA assume o controle de quase 80% das ações da empresa. A imprensa noticia que o Washington Mutual (WaMu), financiador de hipotecas e maior instituição de poupança dos Estados Unidos, se colocou em leilão como forma de ampliar os esforços para se salvar, em meios aos graves problemas financeiros que atravessa. O Washington Mutual é fechado por agências reguladoras e vendido para seu adversário, o Citigroup.
- A crise se alastra mais pelo setor bancário europeu com a nacionalização parcial do grupo belga Fortis, para garantir sua sobrevivência. Autoridades na Holanda, Bélgica e Luxemburgo aceitam investir 11,2 bilhões de euros na operação. A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos rejeita o pacote de US$ 700 bi proposto pelo governo americano para socorrer instituições financeiras afetadas pela crise. Os legisladores retomam as negociações para realizar uma nova votação na Casa. O Wachovia, o quarto maior banco americano, é comprado pelo Citigroup. Na Grã-Bretanha, o governo confirma a nacionalização do banco de hipotecas Bradford & Bingley.
Fonte: Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, http://www.bancariosrio.org.br/
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
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NOTA:
Dentro de alguns dias passaremos por mudanças. Por motivos logísticos, o blog "A Última Notícia" passará a fazer parte do "Doa a quem doer" (http://doa-a-quem-doer.blogspot.com/), conforme a vontade de quase 70% dos participantes da enquete nos dois blogs. Portanto, se estivermos "fora do ar" por algumas horas nos próximos dias, por favor não se desespere e volte depois de um dia ou dois. O novo layout está sendo finalizado, e esperamos que você goste.
Um abraço!
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